CONDEIXA-A-NOVA

Se se considerar o Neolítico o dealbar do consumo e produção de cerâmica no nosso território, será pois o actual concelho de Condeixa-a-Nova um exemplo de pioneirismo, plasmado no chamado “vaso de Casével”. É hoje artefacto bandeira do Museu PO.RO.S. – Portugal Romano em Sicó, fruto de um achado fortuito, em 1979, no dito lugar da freguesia da Ega. Será já no período Romano que, de forma indirecta, podemos atestar a possibilidade de produções locais, nomeadamente de produções olearias e vinárias, a escala suficiente para desprimorar a importação destes bens de outras partes do império.

Ora, a geologia local tem um contributo fundamental para a existência e particularidade da indústria, com maior ou menor escala, no atual concelho de Condeixa-a-Nova ao longo dos tempos. Será essa a fonte motivadora de inúmeros artesãos que criaram a sua arte no nosso Concelho. É já nos anos 60 do século XX que aqui se instalam olarias e unidades fabris que produzem a chamada louça de Conímbriga, com particular incidência nas peças pintadas à mão. As formas e motivos são baseados nos modelos das faianças dos séculos XVI a XVIII que se encontravam no Museu Machado de Castro, inicialmente replicadas em Coimbra, a partir dos anos de 1930.

Nuno Moita da Costa

Nuno Moita da Costa

Presidente da Câmara Municipal de Condeixa-a-Nova

MENSAGEM DO PRESIDENTE DA CÂMARA MUNICIPAL DE CONDEIXA-A-NOVA

É pois a cerâmica um forte elemento identitário entre os habitantes desta comunidade, muitos deles artistas ou descendentes de artesãos, todos com certeza embaixadores desta arte. Hoje em dia o Parque da Zona Industrial é um espaço de produção, de formas mais diversificadas, que conta com várias unidades, vocacionadas sobretudo para a exportação.

Em 2017, a Pousada de Condeixa acolheu o Colóquio intitulado “A mão e o barro”, momento de confluência de ideias e perspetivas de empresários, académicos, artistas, autarcas e participação livre, do qual emergiu uma ideia de vitalidade atual e futura desta nossa indústria cerâmica e de criação do Centro de Desenvolvimento da Cultura Cerâmica. É precisamente com o intuito da modernização e inovação da indústria cerâmica que surge o Centro “Condeixa Criativa”, sedeado na antiga fábrica “Cerâmica de Conímbriga”, pretendendo ser um pólo de lançamento de projetos empreendedores na área artística e cultural, fundada nas raízes tradicionais da cerâmica de Condeixa.

A adesão de Condeixa-a-Nova à Associação Portuguesa de Cidades e Vilas Cerâmicas – APTCVC constitui mais um passo nesta dinâmica de preservação da memória, fundamentado no robustecimento e modernização do sector, tão intrinsecamente ligado aos cidadãos deste Município.

 

O Presidente da Câmara Municipal de Condeixa-a-Nova

Nuno Moita da Costa